Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Já sou tão adulta!

Ontem apresentei-os um ao outro: a minha paixão da adolescência e o amor da minha vida. Vida adulta, que isto na terceira idade pode sempre dar uma grande volta e se há pessoa que vai ser velha gaiteira, sou eu!
A certa altura apeteceu-me perguntar se podia tirar-lhes uma fotografia, aos dois juntos, com o telemóvel, para mandar às minhas amigas.
Mas algo me disse que não era muito boa ideia. Fiquei sossegadinha!
Sou uma pessoa melhor, estou a ouvir a voz da minha consciência.
Ou então preciso de medicação.

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

O Natal do 1º Esq.

Está oficialmente aberta a época natalícia lá em casa.
8 de Dezembro é o dia de montar a árvore. O presépio é a novidade deste ano. No entanto, ovelha procura-se! (o presépio custou 5,99€, não há milagres...)



Os berloques da árvore de Natal foram escolhidos a dedo.
Critério: É pirosos? Eu quero!


A Bianka é a minha companheira natalícia. Gosto de pensar nela como sendo o meu duende (já tentei enfiar-lhe um gorro verde entre as orelhas, mas fui violentamente atacada).
Era eu a tentar montar a árvore e o felino a mastigar furiosamente os ramos de plástico com os olhos vidrados no horizonte. Não faz mal, dou-lhe 2 dias para os vomitar em cima da televisão.



Ou isso, ou cocó tipo caldo-verde.

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

O Natal, tempo de família




Este ano, pela primeira vez, o Natal é Chez Mia (para o leitor mais pobre: em minha casa).

Comecei logo a entrar em êxtase: a ver revistas sobre decorações de Natal, pesquisar e treinar receitas de arroz doce, comprar um presépio, 10 bolinhas-de-árvore-de-Natal novas para juntar às 1.500 que já tinha, um penduricalho para a porta de casa, loiça a contar com toda a gente e umas cuecas com motivos erotico-natalícios.

Ando que nem posso, ansiosa pelo dia 24 e indignada por viver numa porcaria de cidade onde não neva! Onde é que já se viu? Com uma mesa-de-Natal-capa-da-Caras e nem um floco branco na janela!

Bom. Andava eu a assobiar o "Glória in excelsis deo" enquanto cumprimentava os animais do bosque, quando o óbvio se revelou na minha cara (som de carro a travar a fundo): a Sogra, pessoa tão adepta do Natal quanto eu, também tem ideias para o evento.

A coisa começou de mansinho, "Ah, eu levo uma torta de laranja", "E se eu fizesse um arroz de pato para o almoço de dia 25?".

Depois meteu a terceira, "Eu faço lá as farófias, que é num instante", "Eu levo as minhas panelas".

Até que, sentindo a viatura a engasgar-se de esforço, mete a quinta. Abriu a gaveta da sala e disse-me:"Tenho aqui uma tolha de Natal para a mesa. O que achas?".

E pronto! Aqui pára tudo! PÁRA TUDO!

A minha mesa de Natal, pensada e sonhada a branco, dourado e encarnado, tipo capa de revista. Os guardanapos de pano. Os marcadores e o centro de mesa. Os copos de vinho. As velas. Tudo isto me passou num milésimo de segundo pela cabeça, enquanto suspendia um sorriso na cara.

...

Agora é a parte da estória em que recomendo os meus leitores mais sensíveis, aqueles que esperavam encontrar neste texto um conto de Natal cheio de esperança, amor e compreensão, a abandonar o estaminé, porque o que se segue é, de facto, muito feio!

Já está?

Sim?

Obrigada.

Para os insensíveis, nogentos e descrentes da bondade humana, a estória continua assim:

...

Procurei, com os olhos raiados de pânico, o olhar do T., como que a suplicar salvação, mas sem efeito. O homem estava com a cabeça enterrada no prato, a respirar com dificuldade, enquanto deglutia um peixe assado, batatas, salada, pão, azeitonas, queijo e presunto, tudo ao mesmo tempo, e nem sequer estava a ouvir a conversa.

Em desespero, tive que sacar da arma de manipulação mais poderosa que tenho. Fiz olhinhos de bambi e disse: "Obrigada, mas já tenho toalha de Natal. Gostava de usar a da minha mãe".

Agora vocês passam-me a mão pela cabeça e dizem-me: "Oh Mia, que disparate! É normalíssimo quereres ter a toalha de mesa da tua falecida mãe, na noite de Natal para te lembrares dela. Não és nada má pessoa! Aliás, até és uma das melhores pessoas que nós conhecemos!"

Caríssimos, não se iludam, eu sou mesmo um escroto! A minha mãe não lavava roupa à mão, não fazia bolos, nem tinha napperons, quanto mais toalhas de Natal!

Pronto, já tiraram a mão da minha cabeça, horrorizados? Eu sei, eu sei, não foi nada bonito, mas tratou-se de uma questão de sobrevivência!

...

Está aí alguém?

Domingo, Novembro 29, 2009

Os Abrólhos

Nos últimos anos sinto-me a viver em fast forward.
Ontem entrei para a faculdade, era Verão, lia poesia na cama, descobria músicas e filmes, passava tardes em esplanadas a conversar com amigos e dançava até o dia nascer.
Hoje trabalho, é Natal, leio jornais, só oiço as play lists da rádio, saco filmes da net que não tenho tempo para ver, as tardes de esplanada com amigos são cada vez mais raras e não me lembro da última noite em que fui dançar.
Não me interpretem mal, tenho a vida que quero e não a trocava por nenhuma outra.
Falo-vos do que, à força das obrigações de gente grande, do cansaço e da perda da inocência, deixo passar ao lado. Falo-vos também das pessoas e situações que, pelos mesmos motivos, ganham uma relevância que na verdade não têm. É muito difícil manter as prioridades alinhadas o tempo inteiro. Faz parte do jogo.
Felizmente, no decorrer da vida, deparamo-nos com aquilo que se costuma chamar de"eye opener" ("abrólhos" para os amigos). Pode ser uma frase num livro, uma conversa com alguém, uma música, um filme, não interessa. Os "abrólhos" podem acontecer-nos sob diversas formas. Fazem-nos parar, pensar, rever-nos, priorizar, põem-nos a nós e às coisas em perspectiva e funcionam como uma luz, uma revelação e até, se tivermos muita sorte, como uma solução.
Tudo isto para vos pedir que espreitem aqui. Acima de tudo, é muito bonito.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Lá no trabalho sou muita profissional, pá!



Acabei de ser atacada por um pedaço de tofu, à hora de almoço. Eu espetei-lhe o garfo e o gajo esguichou-se todo para cima de mim. A minha camisola está estampada de bolinhas de diversos tamanhos e eu cheiro a natas de soja e tomate.

Bom, fico-me por aqui, porque vou entrar agora para uma reunião...

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Ando a modos que...









... cheia de saudades do meu afilhado, desde que encontrei um carrinho dele, perdido debaixo da cadeira do pendura, no meu carro.

... num excitamento a possibilidade de vir a ser a feliz proprietária de uma cozinha com ilha!

... feliz com a minha nova fanja, finalmente direita e pelas sobrancelhas, como eu gosto!

... ansiosa pelo regresso ao ginásio. A minha resistência foi-se e sei que vou ficar furiosa por não conseguir fazer o que fazia antes de me dar a preguiça.

... a magicar uma sessão da karaoke para a noite de Natal.

... apaixonada por este Outono suave, que me faz apetecer tardes de chá e scones no Pois, Café!

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

36!

Ultimamente tenho andado de autocarro. As viagens são sempre iguais: enlatada com gente que tresanda a estafado, os pés a doer, enjoada com o pára-arranca do trânsito e a maldizer a vida de pobre que me calhou.
As viagens de autocarro permitem-me, no entanto, duas coisas simpáticas. Uma é, quando tenho a sorte de arranjar um lugar sentada, ir de olhos fechados, numa espécie de limbo. Não vou a dormir, mas também não vou acordada. Vou a modos que "a olhar para dentro".
Outra é observar as pessoas e fazer comentários jocosos de mim para mim, e tentar cuscar ao máximo as conversas dos outros. Só para me assegurar que há vidas piores que a minha. Sou um ser humano maravilhoso!
Na Sexta-feira passada ía de pé no 36, quando uma senhora, que estava sentada, começou insistentemente a fazer-me sinalefas. Primeiro pensei que a mulher queria que eu carregasse no botão do STOP, mas depois lá entendi que ela estava era a oferecer-me o lugar.
Hmmm... como não sou idosa nem deficiente que se veja, deduzi que a mulher achou que eu estava grávida!
Estive mesmo para (encolher a barriga) pôr a mão na anca e dizer-lhe das boas logo ali à frente de toda a gente! Em vez disso sorri, aceitei o lugar, sentei-me de mãos nos rins e perna aberta e agradeci.
A senhora que estava sentada ao meu lado e que assistiu a tudo sussurou-me: "Você não está nada grávida, pois não?", ao que eu respondi a acariciar a minha barriga e a simular aquele sorriso estúpido que as grávidas têm: "Nop!". Claro que foi risada o caminho todo!
E agora falo-vos do código de honra entre as mulheres! Onde estava a senhora quando o criador destribuiu o bom senso? No autocarro?!
Mulher que é mulher sabe perfeitamente que até ver a ecografia - e mesmo assim é melhor esperar por um bracinho a sair dali de baixo - não pergunta à outra se está grávida! Que burra!
Burra, mas atenção, cheia de civismo, hein! Que eu também sei reconhecer estas coisas!

(Pelo sim, pelo não, vou voltar ao ginásio!)